(...)

muito daí as vanguardas artísticas serem tão gostosas: porque eram gente, e se inspiravam uns aos outros por serem gente, muito mais do que agora, relendo os mortos, podemos nos inspirar com impressionismo ou dadá. na época eles tinham companheiros surrealistas e amigos concretos que lhes girar as idéias
porque escrever é muito mais um ritual do que uma produção
uma literatura, digo
um bando de poemas,
que seja como modelos atômicos de Bohr e de seilámaisquem
que seja a ciência dos... sentimentos?

que é literal, é aquilo mesmo
só é honesto porque não é metáfora
as pessoas são realmente guarda-chuvas tentando abrir
ou algo assim
(ou rádios)

religião do ontem

"nasci na época errada"
ai porque eu sou tão anos 50 ou 60 ou 70
não, meu caro:
você é hoje, seu corpo grita hoje: ele hojeia o dia inteiro e você deveria acompanhá-lo

fones de ouvido

nunca antes se ouviu música em fones de ouvido

(aliás não é engraçado, como tudo que ouvimos vem dos anos 60 70 ou 80;
ok, ok, mas 900% vem de há mais de 30 anos;
enquanto todos esses compositores tinham uma trabalheira tremenda para ouvir-se
e nós só apertamos um botão em qualquer lugar do mundo e toca nas nossas orelhas?)

escrever a duas mãos

digitar é ver o texto sair das mãos

e isso é absolutamente diferente de escrever à mão

olhe bem: é muito óbvio que a velocidade com que suas palavras são postas no papel interfere em tudo que é escrito; quanto mais a capacidade de reler-se enquanto escreve

poesia e novas mídias

me irritam esses que saem a proclamar 'poemas concretos' mil parafernálias criadas muito distantes da linguagem. sou conservador e quero palavras, tenho toda minha relação tarada com elas e, para mim, a palavra 'poema' me serve a identificar justo os primos próximos d'isto aqui.

essas performances ditas poemas me ensinariam tanto quanto artes plásticas música e cinema sobre os problemas de escrever (até menos, se bem verdade). por quê chamá-las de poemas?

- minha tese é: são apreensões das novas mídias de maneira superficial, utilizando-as diretamente no próprio corpo do poema, viciadas com o fetiche tecnológico, geek.

poesia e novas mídias: o novo tipo de poesia libertado e descoberto agora, se daria na relação com a escrita: continuar poemas contos cronicas etc, formalmente igual! mas inseridos em escritas conjuntas pela internet... nao sei

(uh, como dizer: muito mais divisor de águas para a literatura é a imprensa ou o texto digital; do que o verso livre ou o romantismo) - talvez seja algo assim que eu sinta que deve ser dito: e agora com internets e conversas instantaneas escritas, o que podemos usar disso?
como tornar isso abruptamente literário?