Um deus passeando na brisa da tarde
Que caminho é esse
Comunicação popular
Meteorologia
Os meteorologistas existem para os economistas não pegarem tão mal, com suas previsões furadas. Ainda assim, vivo vendo a previsão, e torcendo para estar certa ou errada, como me convém. O tempo vem piorando, mais extremo, afetando a economia e por ela afetado. Meteoro-logia, os meteoros os objetos no céu, desde as fixas estrelas, os 7 astros moventes, e cometas, e cadentes, até mesmo nuvens, raios, arco-íris. O que está no alto, o grande que nos escapa, que nos envolve e nos supera, necessariamente. À busca de subir e enxergar um passo mais completo, inalcançável, se opõe a busca por reger apenas o imediato, o óbvio que me cerca. Individualista, tento encontrar um grau zero de simplicidade que é também miragem, nunca alcançamos os extremos. A eco-nomia dá o regramento do lar, do ambiente, que se espalha em um eco amplo de relações. Onde termina o eco de que faço parte? Onde começa o meteoro superior? Mas também embaixo a eco-logia descobre o inapreensível, imensa gaia geocêntrica que nos engloba, por debaixo. E então o regramento da nomia se torna uma pergunta. Da lei, do bom conduzir, sem controlar sua lógica por completo, ou mesmo por uma parte. Apenas um incompleto, insuficientes vias que se desenha para bem mover o mundo. E no eco encontrar o bom trabalho, com seus princípios esboçados do que é justo, do que é certo: a ergo-nomia é bem isso, o regramento do bom usar o corpo, o esforço. E da gastro-nomia seria uma boa ciência médica que nos conduz à saúde, ou pelo menos às delícias: as regras de misturar o alimento, tratá-lo, servi-lo. Por fim, a astro-nomia descobria uma lei maior sobre os meteoros moventes no céu, e aprender deles as boas leis - que nos inspirassem como mover nosso eco no bom rumo de sua lógica.
solavanco
economia pra transformação social
curso associado ao mercado financeiro
muitas universidades tem removido cadeiras de história e focado na parte matemática
usada para uma regressão social
domínio social
ah cara que legal escrever
que legal ter falado
e falado bem, gastão
e passado grandes conhecimentos
e acho que passado uma leveza
Lendo "Os Despossuídos"
Lua cheia de junho
Voltar do evento dos comunistas e bam em dois dias o garoto pegou uma febre braba e minha mulher está descabelada exausta que só faz cuidar de bebê há dois dias e é exaustivo demais sozinha e como fazem as mães donas de casa meu deus. Eu chego ainda com pique recuso dar frutas estou louco por pequenos alívios dessa lida foda, e agora no fim da noite exausto tentando botar o garoto pra dormir umas duas horas nisso. É um baita choque de realidade para meus planos vagos de multiplicar meu trabalho por mil supostamente rumo à glória do chão de fábrica. Ah Alerj parece cada vez mais aleatória, mas também tem seus prós e eu estou me debatendo com essa questão ininterruptamente há dias e dias. Pode ser ano que vem? Eu preciso de uma transição foda na Gazeta, encaminhar legal esse jornal pelos patrocínios, pelo ano que vem, pela distribuição e tudo, ir fazer oficina (pausa para encaminhar isso, e atiçar vidi caru com discurso anarquista, ficar pensando na gente ser comunicação popular, o trabalho de base real para construir a saída a esse fim de mundo... enquanto ninguém acredita no nosso trabalho, é incrível, ainda que vejam ele ser tão diferente de tudo, elogiem, quando falo de carreira, de rumo pessoal, ninguém acredita... é muito incerto mesmo, mas acho tão doido isso. é bonito também)
Gosto que esse dilema da Alerj não passa, em princípio, por sufocar a Gazeta: o dualismo que faço, talvez ilusoriamente, é com o doutorado: a Gazeta vai abrir umas 15hs por semana, é o desafio da delegação, da consolidação. Mas quem vai ocupar essas 15hs?
E aí hoje com Lopreato me acordando para: ninguém estuda o fiscal. Todo mundo sabe que é o centro, algumas pessoas querem até se aproximar pra saber mais. Mas não tem ninguém nisso. Me acorda um pouco para as ilusões de que haveria grupo de pesquisa... E que o pólo academia é muito mais meu autodidatismo, eu ficar estudando coisas, me tornando especialista sinistro em: teoria do desenvolvimento regional, e também tretas das iniciativas industriais no Rio, e também ciência política do "marco de poder" carioca, e também as bases de dados fiscais afinal de contas... isso só na tese, e também teorias da dívida pública em geral. Tenho muita coisa a estudar, a arrumar e publicar. Matérias a fazer, ok, respeito a ganhar com professores, ok, brigas a comprar, ok, alianças a forjar com gente de outras universidades... Dá a preguiça do meu ranço contra esse mundo acadêmico alienado, sim. Não dá pra negar isso... Fico marginalizado, como com os comunistas, fico com os acadêmicos.
O argumento que está vencendo é: a gazeta está em momento crítico, não dá pra eu ser tomado totalmente por outra coisa. Não é o momento certo de "forçar" uma redução. Não que seja fácil dizer de momento certo, mas certamente agora não é, quando tem tanta coisa em germe. E eu realmente sinto falta de estudar, de refletir - e não de trabalhar mais ainda num operacional.
Tudo se encaminha contra "entrar agora", mesmo que "saindo ali adiante". Fica a ideia
- "me façam freelas" ou
- "me contrata ano que vem" (faz sentido?) ou
- "me contrata agora muito light".
Mas mesmo esse último, que seria a conciliação da conciliação (pegar só o bom da Alerj, contatos vivência, sem o ruim, tempo), me assusta um pouco.
Teoria da língua concreta
I
No levantamento que fiz das minhas teorias que vim desenvolvendo pela vida, e que queria ver um dia publicadas, ganhando mundo, superando esse amargor de vê-las tão criativas empoeiradas, cobertas de pano no fundo da oficina, pois nesse levantamento não incluí, propriamente, minhas ideias sobre a própria escrita. O caldeirão de intuições fervilhantes da manuelalogia e toda a poesia por que atravessei e barthes e o princípio materialista e a poesia concreta... Onde os estudos de etimologia, de teoria da etimologia, e onde o conhecimento deve ser rebaixado à expressão, sombra, fios que movem o títere da ideia em si, que não podemos tocar? Ainda platônico e kantiano, seguindo a leitura de deleuze daquelas ideias, atratoras além do sensível. Pois bem, neste percurso bem poético de querer fruir a escrita nela mesma e ver do que dela sai: esse gosto da metalinguagem desenfreada, a direção para baixo, para aqui: busca do centro do relógio... Falar sobre a própria escrita, descrevendo os muitos processos de criação: do próprio texto como experimentos que talvez ajudem a explicar o objeto do texto... E finalmente, me ocorre agora, por um lado erguer catedrais, máquinas de argumento bem azeitadas, utilizar o mapa, comunicar, criar teorias "úteis"; mas por outro lado não se reduzir a "fechar" o significante final. Deixar portas abertas, deixar o inventário, o vocabulário, todo o arsenal de visões discordantes em cena: às vezes desejo isto, da ciência: que pare de censurar as versões derrotadas, inadequadas; que passe sua mensagem, mas traga também o cortejo de anexos. Formar então a teoria plato-kantiana da apreensão intuitiva, pré-verbal; do texto multifacetado, da palavra objeto; mas não fechar só nisso, e deixar as muitas interrogações sobre o escrever exploratório, comunicativo, receptivo, as dúvidas sobre o objetivo da escrita. Até para não tornar a tarefa por demais hercúlea, para torná-la viável; para não colocar, no projeto, como alicerce algo que ainda nem existe: fazer o plano da obra apenas a moldura de sua frutificação, madura, para circular (falar também disso!) e não me impor o fechamento de uma teoria inacabada.
II
Teoria da língua concreta. Não lemos tudo com a mesma intensidade: pulamos impunemente descrições, explicações, palavras que não entendemos; lemos de maneira errática, absorvendo o significado em diferentes modulações de interesse, de atenção. Depressa empilhamos as frases aceitando um sentido transversal: achamos ter captado a ideia geral que inspira aquelas linhas, e assistimos ao desfile de palavras satisfeitos com a boa ou má execução daquela roupagem, do virtuosismo de quem fala conseguir manter viva a mesma ideia por tantas linhas, mantendo o interesse. Quando então uma frase nova parece destoar, não se adequar ao sentido que imaginávamos, somos obrigados a rever, a reler, imaginando outra figura: e como com as indicações do texto vamos atando pistas até formar um retrato falado, um x no meio do mapa, uma jaula de linhas que nos ajuda a capturar a nova ideia. A ideia é, assim, algo fora do texto, e quem lê como que se hipnotiza no desfile de frases nos seus olhos que provoca isso sim o desfile de figuras indizíveis; o texto é então como contornos, pegadas, fragmentos de estátua, cacos de vaso e restos, ruínas incompletas onde é quem lê que monta castelos de ar; escrever é construir com ar.
III
As palavras não são bem o que parecem; a frase não diz bem aquilo que ela diz. São gestos, símbolos, que invocam algo de fora, que conduzem uma dança, ativam um corpo, e não adianta buscar insistentemente, como num interrogatório, o sentido literal das palavras, porque elas existem muito mais como fórmulas, expressões consagradas - cujo sentido de difícil expressão, cujo movimento que indicam - como num passe de mágica elas fazem surgir o significado, tomando atalhos pela repetição de encadeamentos conhecidos. Este ser meio etéreo das palavras, que são, em sua aparência literal, as sombras, o decalque, os contornos do sentido profundo que elas provocam ao serem utilizadas, transparece com muita força nas etimologias, ou, para ser mais exato, nas ressonâncias e parentescos entre as palavras. Que a palavra porta seja apenas o seu significado no dicionário não revela bem por que ela teria uma estrutura com tantos vias em uso. Pois é só mudar as vogais e temos porto ressoando a imagem, e temos parto e temos parte, e há um movimento comum entre essas palavras para além de suas consoantes. Será então que nós nem lemos as vogais, como numa língua aramaica, árabe ou hebraica, e o sentido se transfere por esse esqueleto de consoantes, de quinas e pontas duras onde as palavras furam e perfuram o tecido colorido das vogais, para desenhar o volume do significado? Montando uma estrutura de linhas e retas gramaticais, por sobre a qual se estende a lona do discurso e o público se exalta pelos vultos que entrevê debaixo do lençol? É preciso, de toda forma, afastar-se da concepção triunfalista de toda a linguística, que pretende saber o que se está dizendo, e analiticamente desvendar a ossatura lógica do discurso. Longe dessa precisão, temos de tirar os óculos e assumir uma teoria muito mais desfocada e ignorante, muito mais humilde (e fascinante). Como que pré-científica, mais afim do uso cotidiano e das fórmulas, dos ditados populares, a teoria da língua concreta dá um passo atrás e se assusta com o fato da língua ser, na verdade, ininteligível, ou melhor: de que o funcionamento da língua não pode ele mesmo ser descrito com palavras; como os demais objetos do mundo, a língua também está sob a lona do circo e seu volume guarda tantos mistérios quanto é impossível decifrar.
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teoria do embalo: o texto (o discurso) são saltos entre substantivos, são fios atando cenas. Juntar o texto como passar cola entre imagens: eis a descrição pungente! eis a outra, noutra direção! mas entre elas, o quê? por causa disso... porém contudo... dessa forma, destarte... Qual a arte da escrita, a chegada ou a saída, o recheio, o que dá liga? Esmiucemos o sanduíche do texto, o escondidinho, esse almoço! Mas além disso, passada a cena, e a outra, também a arte, essa sim, exclamava! a arte finda, o estribilho, estardalhaço, do final.
o texto é uma mentira em sua unidade, a continuidade é um ilusionismo, o rejunte que une placas sem relação: e que podiam estar ao contrário, que tanto faz. E o que é que apreciamos, são os retalhos, ou o embuste? o movimento, ou o repouso? Que gesto, dizer tudo isso, escrevendo fuçando no mesmo buraco; fazendo malabarismo sem sair do lugar. Uma mentira que se cava em si mesma, e o que aprecio, o movimento da pá, no escuro do buraco? A direção, aqui, é para baixo: sem norte, rumo ao centro da bússola.
teoria da parada: onde findar o texto? atando o nó sufocante e aconchegante, como um casaco bem apertado, o texto tecido como armadilha, pescando o conceito em seu recipiente perfeito? Ou ao contrário, desfiando pontas soltas, rasgando o emaranhado para luzir frestas de sol, um texto que deságua indefinido, sem conclusão? E haverá outras, outras opções? Ou ainda, escolher ambas: atar um nó que explode, num aperto que detona mil saídas: o fim que é início, sem deixar de ser final.
Lua cheia da última carta
Não quero ficar listando os afazeres que me atravessam, me vangloriando da minha importância.
Revistas acadêmicas
Pesquisando revistas acadêmicas para publicar meus artigos. Quero tentar não ser tão crítico, quanto mais criticar tanto o grupo em que eu mesmo quero entrar. Mas... não consigo. Vou falar 2 coisas só.
A primeira é o foco esquisito dos estudos. É um retrabalho infinito, uma superposição desmedida. Parece aquele teorema do eleitor mediano, em que os políticos vão todos se aproximando do centro e fica uma mesmice, porque basta ser levemente prum lado que já capta todo o eleitorado mais extremado, sem incorrer no custo de desagradar o resto... Análises sobre federalismo nos anos 1990, sim, e sobre a renegociação das dívidas de 1998 (meu tema), sim. Mas, é exatamente isso. Não há análises a partir dos 2000, não há análises sobre outros estados. Diacho, não há nenhuma análise divergente: é a mesmice interpretativa. A grande vitória FHC (não haverá algum outro artigo, identificando essa obsessão elogiosa da estabilização, cega a tudo o mais?) em 1998. Vão às vezes num detalhismo cronológico até 1998, e aí dispersa. Vitória. Não se estuda nem 1999, nem nada mais. E aquela tara com a repressão estadual, a tônica (o mais heterodoxo é dizer "ei" e só, bem reativo, acusando exagero mas sem defender propriamente). E ainda, no caso dos bancos, só São Paulo, Rio de Janeiro, e tá bom, já ficou "local" demais.
Penso numa academia racionalizada, planificada, em que os estudos seriam distribuídos de maneira mais sistemática. Bem, você terá que estudar o estado seguinte, bem, você terá que estudar o quinquênio seguinte, bem, você terá que defender o ponto de vista seguinte. E avaliar o pesquisador não tanto pelo conteúdo genial que ele escolheu, a sua mensagem política sagaz, sua percepção das cuestões centrais... mas mais por como ele desempenha seu papel mão-na-massa, de enfrentar o preenchimento das lacunas. Menos artista, mais operário; menos indivíduo, mais artesão.
Bem longe disso, no mundo real, estou relendo isso aqui e rindo que eu mesmo vou exatamente no mesmo tema, no mesmo período, pentelhar o povo no terreno deles. Também eu não quero me perder publicando sobre as manobras escusas do estado de Santa Catarina em 2004, ou Pernambuco em 1997... Não, vamos falar de temas gerais, temas maiores! E me consolo, dizendo que já estou introduzindo bastante ruído.
Segunda coisa, é minha ranzice contra econometria. Que grande perda de tempo, os duzentos artigos provando e desprovando a relação entre dívida, inflação, câmbio, etc. Dessa vez com um modelo mais novo! Dessa vez com o teste de Quilguins-Watkinson dobrado. Penso numa academia racionalizada, em que os dados seriam reunidos, e um debate iria sendo acumulado, listando prós e contras, acumulado, sem dispersão, concentrado, coordenado, confluente... Ah. E não essa "bagunça" (me perdoem, cardeais) de cada revista com o seu resultado, uma sabe que gasto público dá crescimento, a outra sabe que não dá e ponto e fim...
E mais. Cá com meus pensamentos sobre "equações simultâneas" ou qualquer nome para endogeneidade entre as variáveis observadas. Se o gasto gera crescimento, como provar isso, já que mais crescimento traz mais arrecadação que permite mais gasto, e tudo anda meio que junto. Daí vem o econometrista empolgado fazer o quê? De onde ele vai tirar a informação para provar a "causalidade"? Tem informação pra isso? Tem informação sobre o "grosso", sobre o "núcleo" da causalidade, ou só sobre as margens, só sobre estados excepcionais? O que eles podem realmente fazer com seu jogo de vetores e esquimbau? Tirar leite de pedra é, na verdade, impossível. Imagino, ignorante que sou, se esses testes todos não são ficar olhando os ruídos, os atritos da relação causal, as pontas soltas, os pequenos desvios; e deles tentando dizer a relação como um todo. Meu gasto aumentou 10%, o PIB 9%, eles vão ficar fritando nesse 1% de diferença; no outro ano o gasto caiu 3%, o PIB 2%, está provado que o gasto é neutro em relação ao PIB. Sei lá o que fazem... Se prestam a esses testes? Se houver uma defasagem... enfim.
Imagino um passo atrás em relação ao econometrista, e antes que ele comece a desfilar seus modelos lindos de Chicago e United States of America e London School of Economics e Sciences Po e muitos centros do saber renomadíssimo com todas as condecorações aristocráticas meio proletarizadas desse universo acadêmico bizarro de publicações infindas e inúteis, antes de tudo isso, eu diga, simplesmente: você está demitido. Não tem informação, no mundo real, suficiente para qualquer análise puramente estatística. As variáveis estão misturadas. A resposta é teórica, e ponto. E a auditoria dela é histórica e comparada, institucional, e muito complexa; deveria ser feita institucionalmente, coletivamente, produção séria, moderna, e não essa palhaçada artística da inspiração do intelectual X que vocês amam e que fica produzindo essa ciência barata, charlatã, com todos os ares, com nenhuma sistematicidade, com nenhuma racionalidade, com nenhuma utilidade em termos de construir o mundo certo. Seus idiotas.
Enfim, quero nesses próximos 1-2 anos me aventurar na macroeconometria, aprender a fazer esse debate a sério e não com base em fantasmas, mas é isso, sem muita ilusão das respostas que podem sair da máquina. Cara, vocês estão drogaditos com ópio, vocês ficam masturbando a ideia de que a matemática é a panaceia, quando não é, não tem solução fácil! não tem cheatcode porra, a economia é histórica, institucionalizada, e muito difícil de interpretar caralho. E vocês rodando modelinho americano, ah vai se fuder. A historiografia tá que é pura lacuna, as séries de dados ninguém padroniza, e a galera gasta tempo apresentando mais um paper que diz que político é safado. Porra. Vamos trabalhar a sério gente. Matemática, em seu lugar. Eu amo matemática, uma ferramenta linda, mas não consigo chegar a usar, porque todos os que veem nela Deus gozando deixaram/apagaram todo o trabalho que deveria ter sido feito antes de usar a matemática. Enfim. Sou muito chato mesmo.
Minhas 3 ideias não publicadas
Ler (sobre) Keynes me dá... inveja. Politicamente influente; carreira acadêmica brilhante, irretocável - iniciada com um tratado filosófico - estilo de escrita elegante, convincente. Cá comigo, me concedo... lentidão... talvez abandonar amargamente os sonhos de grande contribuição... Preciso fazer análise para me entender melhor com a gazeta - hoje não vejo mais nela nada de interessante! (Contratar Letícia, pagar todo o IR que for necessário; ou parar com a ficção de dar lucro, e acabar com a participação de vidi-caru... Afastar-me) pois hoje todo meu interesse está, ainda na administração pública e no debate acadêmico. (É que mesmo a gazeta se financiando e tudo... nunca vai me dar nome. E não transforma nada... Não sei que objetivos devo tomar... cansei. Instagram eu não topo, ficar no papo conjuntura - a nível superficial - tô fora... maniqueísta...) A gazeta... está abalada com minha descrença na mmt, que impõe o desafio urgente de se pensar um "desenvolvimentismo fiscal" (independente de saúde/educação; social/ambiental)(A necessidade teórica/política disto não está sendo bem colocada!) e uma reabilitação do funcionalismo público, insulado? tecnocracia x democracia e planejamento... Fazer da gazeta um espaço para colunas? ou, ver os jornais em que os amigos publicam as mesmices de sempre, e enviar textos manifestos? Escrever artiguetos de opinião em meios de comunicação consolidados (uma construção ao longo dos próximos 4 anos)
Comecei a escrever essa digressão, para falar dos meus textos inconclusos - de literatura, e de filosofia. A metafísica pesada do materialismo geral; antes o ensaio sobre meios de comunicação e poder na manualia; ou os debates de anarquia e autogestão... Queria publicar versões simples na usina. Sem drama, sem rever tanto, só expressar a antiga ideia; pontuar. Ao lado, toda a poesia e textos curtos que escrevi, alguns com grande graça; que se perderam esmagados pelo projeto da economatopeia... ficaram à margem: a sede do peixe. Não são nada de mais, mas eu bem queria publicar. E os poegramas!
Hm... sobre o materialismo, tem o novo trabalho de 2023 iniciado um grande fluxo poético-metafísico (além de vários recortes-coluna albatroz; e do experimento do 7 de abril de 2022), para além do ensaio tímido publicado
Sobre a manualia sim valia uma arqueologia das teses; que eu nunca propriamente entendi qual era: era uma pesquisa (se lembro, houve uma tentativa encaretante de fechar) - Havia uma (alguns marcos teóricos) história teórica do poder pelos meios de comunicação, e os abalos que suas revoluções de emissão provocavam... ao mesmo tempo que um ensaio sobre o potencial ontogenético do papel escrito; da edição (e sua facilitação)
Sobre autogestão... o texto publicado traz o mínimo, mas sem muita filosofia. E o elogio da faxina? Mas mais no núcleo, as ideias suco de edição, junto com Carlos? Um balanço dos experimentos... a noção de escravo da função - de volta ao colab? aplicar os 10 princípios à suco? Desenvolver os 10 princípios, em seu debate implícito sobre anarquia? (citar o quê, rodrigo nunes, avaliando o horizontal que se desmancha em tiranias do sem organização e um anarco individual, vs. a tentativa de erguer comunidade mas muito de olho nos focos de centralização?) - e o que seria publicar, tornar artigo para seminário acadêmico? um debate elegante... em revista?
+ katkafagia (datado) + viagem com jo (digitar) + diários cdd (digitar?)
...Se não publiquei tanto, também não é o caso das ideias terem morrido. Quiçá ainda germinem e voltem à tona para uma nova geração?
Tesouro Direto, liquidez e renda fixa
O TD é um investimento inteiramente seguro, e com liquidez total (D+1), rendendo a Selic, ou o IPCA + algo, ou uma taxa pré-definida (e ainda opções com juros semestrais e sei mais o quê); para fins de comparação basta dizer que rende pelo menos a Selic menos o Imposto de Renda (minimizado em 15% se deixar o dinheiro aplicado por 2 anos ou mais) e a taxa de administração da B3 (0,2% do valor investido ao ano, pago em 2x, a cada semestre).
Mas não falam que - feita exceção ao Tesouro Selic, que é tudo isso mesmo - para os demais títulos a liquidez D+1 pode pôr a perder toda a segurança do investimento. O Tesouro IPCA + é especialmente volátil: se você compra um que vence daqui a 5 anos, mas daqui a 1 ano você vende, você pode vender por menos do que você comprou, isto é, perder um bom dinheiro! Claro que se você esperar até a maturação dali 5 anos, não perde nada. Mas para usar a liquidez D+1, você depende disso: se a expectativa de inflação muda, a expectativa de rendimento do título muda; se de repente passam a achar que a inflação vai ser na verdade baixa, ninguém mais quer o título e saem a vendê-lo, e aí o preço dele cai... e quando você vai vender, está muito mais barato... É até mais complexo, pois eles comparam sempre com a Selic, e se a expectativa da Selic muda, muda o valor dos títulos IPCA e pré. Só o título Selic que, como vai ser exatamente o que for a nova Selic esperada, não muda de valor. Então cuidado, se quiser liquidez, tem que ser TD Selic. (OBS: não analisei, mas acho que os títulos com pagamentos semestrais têm uma versão aliviada desse problema).
Dito isto, pra quem pode abdicar de liquidez, pegar parte da grana e abdicar de poder usar ela por 6 meses ou mais (ideal é 2 anos, para minimizar o Imposto de Renda), dá pra ter um rendimento bem melhor e ainda 100% seguro; dá pra ter um rendimento que, depois de pagar IR e sem precisar pagar taxa de administração, ainda é um pouco mais alto do que a Selic (e por isso bem mais alto que o TD que dá Selic -15% da Selic -0,2% do valor total)(na verdade, agora repensando, isso se deu nesses últimos anos - pandêmicos - mas antes da pandemia o bicho chegava só a uns 93% da Selic (ainda mais alto que TD, ma non troppo)).
Abre conta numa corretora - eu testei a XP e a Nuinvest, e a Nuinvest dá de 100, é muito mais intuitiva e tem produtos melhores. Vai em Renda Fixa e compra LCI/LCA (isento de IR, então pode ser qualquer prazo) que pague a maior porcentagem do CDI (que é uma taxa praticamente igual à Selic por definição), ou um CDB/LC (preferencialmente 2+ anos pra pagar só 15% de IR) que pague a maior porcentagem do CDI. Com isso você está emprestando pra um banco qualquer, em vez de emprestar pro governo (como no TD), mas é 100% seguro por conta do FGC - um sistema de seguro gerenciado pelo Banco Central. Eu já tive que usar o FGC e funciona, não dá trabalho nenhum, a Nuinvest te orienta do que fazer pra acompanhar o processo. Para quem tem bastante grana, só precisa tomar cuidado de não emprestar mais de R$ 250 mil pra cada banco, ou botar mais de R$ 4 milhões nesse esquema, que são os limites de cobertura do FGC - valores bem altos, então tem bastante margem pra usar o negócio. No mais, é isso, não tem mais muito mistério; sugiro não comprar prazos muito maiores do que 2 anos, pra ir acompanhando o mercado conforme o passar dos anos; não sei se sugiro comprar títulos indexados a ipca ou pré, acho melhor ficar só na taxa CDI mesmo. E é isso.
Uma breve história da América Latina
Que bom estar lendo algo tão geral, que traz alguns eixos maiores da situação como um todo! É claro, tudo que conheço melhor, acho tratado de maneira simplista. Mas é uma leitura tão rápida, como um grande artigo da Wikipedia.
Ler das independências e todo o debate liberais e conservadores, absolutistas e republicanos, a necessidade de uma legitimidade na soberania popular - tudo isso emendou tão bem com minhas leituras de há duas semanas, quando eu divaguei pelos contratualistas e o debate do século XVIII, com a poderosa Inglaterra e seu parlamento, com a Revolução Francesa... Retomar o embate da imposição da Constituição na Espanha e em Portugal, a criação dos parlamentos; aquele velho debate do Lynch de saquaremas e luzias, liberalismo oligárquico e monarquia progressista...
Me chamou a atenção: chamar de sociedade corporativa; a união com a Igreja em um continente onde não chegou a Reforma Protestante e se manteve uno no catolicismo, com os Patronatos Reais da Espanha unindo política e religião.
Guerra dos 7 anos (1756-1763)(Cuba, Flórida) marca a decadência espanhola e ascensão inglesa. Na verdade é um evento bem complexo, valia olhar no detalhe...
Pré-independência: No fim do XVIII tanto o Marquês de Pombal, como as reformas bourbônicas na Espanha, racionalizam e centralizam, afastando das elites crioulas; subordinam não só ao rei, mas ao Estado-Nação metropolitano, com privilégios.
Independência: Invasão napoleônica vs. Juntas eleitas para administração, fase "autonomista" de assunção provisória do poder, apenas reformulando o vínculo. Assembleia representativa espanhola em 1812 Constituição de Cádis (convidando colonos para as Cortes, estendendo o voto como forma também deles ratificarem o poder, 64 dos 300 (20%) deputados) liberal nos direitos (tributos a indígenas, trabalhos forçados, inquisição), monarquia constitucional, mas fortemente centralizadora. Restauração 1814 rei anula a Constituição e reprime a colônia especialmente Venezuela e Argentina - Bolívar (confederacionista) e San Martín (centralista, defensor de uma monarquia) que vão liderar se encontrar no Peru pró-metrópole. 1820 na Espanha impõem novamente a Constituição. Qual a forma constitucional adequada? Será preciso "plasmar" o povo? Tínhamos um povo, ou um vulcão? que se recebesse direitos, explodiria?
México é bem confuso o que acontece, independência muito conservadora, Miguel Hidalgo e exército camponês, medos da revolução do Haiti, Plano de Iguala 1821, Iturbide conservador.
EUA 1823 enunciam Doutrina Monroe (américa para americanos) que será presente no México e no Caribe.
Pós-independência: instabilidade política (só se instaurava quando se reproduzia algo como um rei) e estagnação econômica (sem comércio externo, sem impostos). Liberais e conservadores eram todos elite crioula, com muito em comum; a posição sobre a Igreja os opunha mais fortemente. Período de introjeção rural em meio à estagnação externa.
A primeira onda constitucional foi mais liberal federalista; letra morta. A segunda onda foi mais conservadora, inspirada na Constituição de Cádis, ou no modelo napoleônico, mas também foi fraca - exceção à Venezuela, Chile (autoritário Portales com constituição de 1833 inspirada pelo teórico Bello que duraria até 1861) e Argentina (Buenos Aires sob ditadura de Rosas 1829-1852). Caudilhos México (López de Santa Anna napoleão do oeste muito poderoso 1830-50 falhou a reprimir a Revolução Texana de 36 que culminaria na guerra 45-48, Califórnia Novo México Colorado Arizona), Paraguai (Rodriguez de Francia isolacionista até 1840), Guatemala (Carrera) - "patrimonialismo", "carismático".
Escravidão se desfaz logo em México, América Central e Chile (onde era marginal), seja pela dificuldade do tráfico, seja por recrutamento negro para as Forças Armadas. Liberdade indígena "modernizante" por vezes os levava para situações piores e causava reação. Livre comércio inglês, abre oportunidade, mas endividamento e destrói manufaturas mexicanas.
Confederação Centro-Americana 1823-1840. Gran Colômbia até 1830 (Venezuela e Equador). Vice-reino do Peru (Chile e Bolívia). Províncias Unidas do Rio da Prata (Paraguai, Uruguai). [ mas pensando por outro lado: se mantiveram enormes a Argentina, o México, a Colômbia! ]
Meados XIX: nova geração intelectual, retomar o impulso original, sem romantismo. Contra Igreja pelas riquezas e muito pela educação e funções de administração (no México pesado, Benito Juárez vs Igreja e extinção das comunidades indígenas, Constituição de 1857 - guerra, imperador mexicano dura 3 anos vs apoio EUA Monroe). Teoria política conservadora Alamán, Bello (que influencia constituição Chile), e liberal Alberdi, Sarmiento, Bilbao, Lastarría. Ideia conservadora da missão pedagógica, liberal do transplante cultural... [ me ocorre o interesse pela "monarquia federativa" (se é que o oxímoro não denuncia a ilusão) ]
Progresso fins XIX: crescimento e estabilização política moderna, generalizados. Argentina à frente (muito exportador carne/cereais, quase colônia britânica), México Chile e Brasil; atrás Gran Colômbia e Peru, América Central. Período de centralização militar (profissionalização via missões alemães e francesas); administração fiscal, judiciária, educacional (censo, dados, estrutura pública); meios de comunicação. Milicos desempenham várias funções de racionalização e ganham auto-imagem.
Globalização (navegação a vapor e trens), periferia primário-exportadora integrada, ganhando investimentos de infraestrutura [ o livro faz o debate anti-neocolonial parecer entre os teimosos de má-vontade, e os razoáveis. Aliás, também irrita como trata crescimento como algo inerentemente progressista, que apaga os traços primitivos: é dualista, evolucionista ].
Crescimento populacional, urbanização (concentrada), terciarização (classes médias - comércio, administração pública, bancos, escola, exército), início de industrialização (e núcleos proletários reprimidos). Imigrantes: pelo seu conhecimento técnico, pela sua cultura/ética capitalista, pela sua raça. No México e no Peru, apenas elites empresariais/comerciais de Espanha/França; imigração maciça para Argentina e Uruguai (população se multiplica muito no XIX, ~metade imigrada), Chile e sul Brasil (São Paulo).
Oligárquicos? Sim, mas também "essa era a política no Ocidente antes do advento da sociedade de massa: exercida por notáveis abastados; violência corrupção e fraudes eram comuns também na Europa". Repúblicas oligárquicas, conservadoras (Constituição eram pactos na elite, eleições ficcionais) - mas havia muita mudança em curso, nas bases.
O Positivismo converge liberais e conservadores, pela racionalização/progresso e pela crença na sociedade orgânica (com lugar para elite comandar, corporações, Igreja) [ fiquei querendo saber mais sobre positivismo, saber mais a fundo ] alimenta a tradição antipolítica.
Guerra Paraguai 65-70 - estava lendo que o Brasil quase não tinha exército desde o 7 de abril - mas tinha esquadra que foi decisiva. E que neutralizou a aliança com o Uruguai, depondo o aliado paraguaio - a guerra inicia com o Brasil invadindo Uruguai. Já a Argentina era uma colcha de retalhos, confederação, mas a província de Buenos Aires consegue unificar e enfrentar a guerra.
México: Porfirio Díaz regime 1876-1910 conservador Igreja latifúndios, toma terras indígenas, reprime anarquistas nas minas, modernizador atrai investimentos, ferrovias, boom demográfico, positivismo.
Argentina: partido autonomista nacional, pacto entre oligarquias com hegemonia de Buenos Aires, positivismo... mas sobretudo muita imigração, homogeneidade étnica e cultural [não fala do massacre de índios] e integração com Inglaterra; elite arrogante sobre a AL; parecia se conduzir naturalmente à democracia.
EUA: intervenções a partir de 1898 Cuba (emenda Platt permite intervenção) e Porto Rico em guerra contra Espanha, demarcando nova era, Panamá 1903 (para canal de 1914), prossegue no Caribe e na Am. Central protegendo multinacionais agrícolas e mineradoras + propaganda cultural/protestante: 1904 corolário Ted Roosevelt à Monroe, direito de intervenção. Tudo isso alimenta a hostilidade do nacionalismo AL (como José Martí, cubano, positivista, liberal, pró-mestiçagem, admirava EUA mas defendia a "segunda independência" da AL)
Século XX: Primeira Guerra faz soar o alarme simbólico (modelo de civilização positivista) e prepara o econômico (demole exportadores, impõe fornecimento industrial, evidencia vulnerabilidade, traz inflação) Grande Depressão colapsa esse cenário e alastra onda de golpes de militares. Nada difere da Europa. Passagem pra sociedade de massas, para os conflitos que o progresso trouxe, vs. incapacidade dos regimes de ampliar suas bases (setores médios, elites insatisfeitas, partidos com a questão social fortes nos setores-chave), acusavam agentes infiltrados (defensores da apolítica) - e o liberalismo perde legitimidade frente a: nacionalismo, organicismo, incorporados nos militares. Reações autoritárias ou populistas.
Peru: APRA (aliança popular revolucionária americana criado no méxico 1924) luta vs EUA (com suas mineradoras no Peru) se difundiu na área andina, defendia indoamérica, terceira via (populista) (só chega ao poder me 1985)
Uruguai arrumadinho reformista, árbitro, consegue se modernizar sem explodir conflitos (sistema de Batlle y Ordoñez) até os anos 1970.
México: Francisco Madero concorre às eleições, empunha armas ante a fraude, Porfirio se exila, Madero não segura o poder; general Victoriano Huerta toma o poder; mas no norte o exército constitucionalista de Venustiano Carranza, com apoio de Pancho Villa (caudilho) e do pres. Wilson (!) e o sul zapatista campesino, que depois de acabar com Huerta ficam disputando - até Constituição de Querétaro 1917 liberal, anticlerical, princípios sociais e nacionalistas (propriedade bens subsolo e reforma agrária) [ o livro não fala de marxismo ]
Modernismo vs. positivismo. 1900 ensaio Ariel de Rodó manifesto do nacionalismo antimaterialista, Modernismo de Rubén Darío... tanta coisa conflui num nacionalismo genérico; busca interna de origens e identidade (mítica), necessidade de forjar cidadãos (já que já há Estado), indigenismo, mestiçagem, raza cósmica (José Vasconcelos), espiritualismo, catolicismo (!), primitivismo (Mariátegui e comunismo incaico); nação comunidade orgânica (vs. cosmopolitismo, imitações) estudos etnográficos, reconstrução de costumes
Argentina: golpe 1930 põe fim à democracia, reação ao conflito social crescente e às ideologias revolucionárias, aos partidos majoritários (radicais) sempre monopolizar o poder e se dizer a identidade da nação.
EUA segue de intervenções militares, trinta, algumas de longa duração (Nicarágua onde mataram Sandino que se opunha a eles, Haiti), seja para proteger interesses, pôr fim a guerras civis, United Fruit Company; o pres. Wilson fez com intenção paternalista e pedagógica (mas sempre expandindo o comércio e abalando os europeus) ... alimentando hostilidade.
Paraguai e Bolívia: guerra do Chaco 1932-35, Bolívia quer acesso ao rio paraguai para ter saída ao mar, paraguai não quer perder mais território do que já perdeu pra argentina... e tinha petróleo (ou indícios) na região.
Os anos 1930: Depressão teve impactos curtos, as economias logo se reerguem - se afastando do modelo primário-exportador e do comércio, abraçando intervencionismo, protecionismo e indústria (como faz todo o mundo) na substituição de importações dos bens de consumo mais simples.
Imigração interrompe até por restrições, a não ser a onda de refugiados da guerra civil espanhola (méxico); mas a população se expande por natalidade e redução da mortalidade (especialmente países mais avançados). Mas migrações continuam, êxodo rural, e favelização; não são novidades mas aceleram muito (30% urbano Argentina Chile Uruguai, 15% México Brasil Colômbia Peru - e correspondente alfabetização - ou seja continua campo autoconsumo miséria vs. grandes latifúndios da exportação - e o campo vai se tornando cada vez mais palco de revoltas)
Estudando investimentos
Coisa boa estudar investimentos. Arrumar minha planilha para calcular o rendimento médio, parece bobo, mas faz muito tempo que eu já não conseguia extrair essas informações simples do meu portfolio. Ter feito isso me permite pensar, me permite ficar curioso de olhar o comportamento... A base está bem construída, e como eu já executei minha estratégia por um bom tempo, tenho algum histórico de oferta de títulos... Isso seria o ideal, ter o histórico de oferta de títulos da Nuinvest... Tenho apenas os que efetivamente comprei.
Sigo tentando decifrar as sutilezas da renda fixa. Não sossego de ter coisas que não entendo bem, de que apenas nessa opção taxas longas e curtas, pré, ipca e cdi, já há tanta estratégia envolvida. Se não domino esse básico, como posso seguir para a renda variável? Que, na verdade, parece mais "fácil" - e trabalhosa - entender um setor e apostar nisso e pronto?
Sonho vago de, como Keynes (e até o Sraffa também), entender de maneira tão profunda, que isso ser útil às aplicações financeiras; tornar-me tão macroeconomista, que me tornar um bom investidor - e que isso auxilie na própria teoria. Tirei agora o Rei de ouros no Tarot.
...Será que sigo lendo o livro de clássicos, nessa pegada filosófica, abstrata? Queria dar um rosto ao Stuart Mill - meu deus eu só me interesso pelos liberais anglófonos (Locke, o Federalista)! E daí olhando o livrinho fico curioso de Kant e sobretudo Hegel (ao ver o Lynch citar bastante o "hegelianismo", e também por interesses amplos na noção de dialética).
Será que futuramente, em meio a mil pendências, eu consigo parar para ler um clássico desses? Como é uma pílula pequena (poucas páginas, poucas horas), talvez a superposição de tantos clássicos juntos dê mais liga - um argumento a favor de fazer um intensivão agora.
Ao mesmo tempo, me causa inquietude, ficar lendo essas pílulas de clássicos, sem aprofundar, sem saber se vou ter tempo para fazer muito mais daqui a pouco. A Gazetinha "não pode" me lotar esse ano. Mas tem doutorado também, e trabalhos com Pinkus, para dizer o mínimo.
Chegou aqui meu livro do Weber, que estou vendo como uma boa introdução ao estudo do Faoro... Que seria um grande estudo sobre a história do Brasil, coisa que eu queria.
Estive aqui pensando que deveria fazer resenhas (como fiz no curso de Macro I) comentando os principais pontos do que leio, copiando citações importantes, e fazendo digressões sobre as minhas ideias e sentimentos com relação ao texto. Aqui neste blog.
Agora a dúvida:
- Ler (e resenhar) mais clássicos? Tocqueville, Kant, Hegel, Stuart Mill, Freud? (parece uma grande dispersão)
- Ler (e resenhar) Weber? (com Leo)
- Ler (e resenhar) Faoro? (com Leo)
- Escrever artigo do RJ? (o ideal que eu vou fazer esse ano)
- Escrever artigo da Dívida? (algo que quero muito, e é comprar encrenca com o GESP e Pinkus)
- Estudar sobre investimentos...? (isso eu pedi dicas ao Leo)
Hoje é 6 de janeiro e eu já estou nervoso de não estar escrevendo o tal artigo. Ler Weber começa a parecer muito aleatório, ver essas aulas... Ao mesmo tempo, é uma coisa rápida, em 1 semana já terá sido feito; e sobretudo é uma coisa que não me exige muito. Mexer no tal artigo é que é coisa braba.
Cartografia do pensamento político brasileiro (Lynch)
Foi bom ler para situar as escolas, e a própria ideia de que o campo da ciência política é um campo em construção. Não à toa tão diminuto no passado, muitas vezes restrito a idiotas e quase nada. E de fato agora bem mais elaborado.
Senti falta de uma cartografia do pensamento econômico brasileiro! Meu campo parece tão aguerrido em disputas totais, tão embrenhado em política; tão sem esforço de ciências humanas, de autoconsciência; tão sem metodologia de verdade, perdido em tecnicismos parodiando ciência exata...
Ideologia seguindo Freeden, mapa para orientação, identificador do grupo, programa de ação, tradição genealógica. "conjuntos de ideias, crenças, opiniões e valores que exibem um padrão recorrente; que possuem grupos significativos como seus portadores; competem pelo fornecimento e controle das políticas públicas, com o objetivo de justificar, contestar ou alterar os processos e arranjos políticos e sociais de uma comunidade política".
Faoro segue a tradição hegeliana de ideias políticas desencarnadas, perspectiva essencialista, e tão eurocêntrica de descartar nosso liberalismo por completo, não temos pensamento político apenas hipocrisias...
'Nosso estilo periférico: (1) pouca generalização (sem alcance universal), maior sentido prático; (2) argumento de autoridade, prestígio dos estrangeiros; (3) filiação a escolas estrangeiras (ignorando as genealogias internas); (4) moderação, diluição dos extremismos; (5) prospectivo, o futuro é o lugar da redenção, desprestígio das tradições; (6) importação de instituições e projetos; (7) pedagogismo, para criar a cultura necessária às instituições transplantadas.' (O pedagogismo me bateu que é bem a Gazetinha)
...Mosca se opunha a toda forma de utopismo...
...processo histórico: teleológico x contingente
- ISEB, Jaguaribe, Guerreiro Ramos
- IUPERJ/IESP (Wanderley, José Murilo; Renato Lessa) - Marcelo Jasmin, João Feres Júnior com contextualismo (Skinner) e história dos conceitos (Koselleck) contra hegelianismo. IESP mannheimiano weberiano
- USP lukacs Antonio Candido, Gildo Marçal Brandão
- Nunes Leal (e Temístocles Cavalcanti) vem da ciência política francesa pós-guerra Burdeau e Duverger
- José Murilo: História intelectual no Brasil, a retórica como chave de leitura (2000)
- Luiz Werneck Vianna (gramsciano) 1991 - "americanistas e iberistas" (revolução passiva entre liberal e comunitário); 1999 "Weber e a interpretação do Brasil"
- Gabriela Nunes Ferreira (USP) Centralização e descentralização no Império: o debate entre Tavares Bastos e o visconde do Uruguai (1999)
Mas voltando a reclamar da economia. Afinal esse keynesianismo todo, ou a defesa do livre-mercado e todo o papo Public Choice, Buchanan... envolvem fortes teses sobre o Estado! E tratamos o funcionalismo público e as instituições estatais como algo exógeno, simples... Sendo que na prática o debate gira muito em torno desse desenho, mais do que das suas possíveis consequências! De novo, na prática o economista mexe muito com direito... e requer muita ciência política...
Burke
Lendo Edmund Burke (em um pequeno livrinho de "Clássicos da Política" organizado por Weffort, com professores da USP), o conservador liberal.
Gostei da sua defesa da autonomia do representante em relação aos representados. Parem de papo de democracia direta. Traz a ideia do bem comum, e ainda que envolva democracia e voto, tende a uma coisa mais totalitária? Não entendi como essas coisas se coadunam. Se o parlamentar vota independente da opinião do povo...
Gostei da defesa da tradição, uma postura reformista/incrementalista que defende o legado, as heranças que temos. Não jogar fora tudo que herdamos, conseguir amar o próprio país, conseguir entender seus pontos fortes.
Como invocar a tradição nesse Brasil que odeia seu passado? Um ódio baseado em abstrações, ideais ingênuos, muito anacronismo, que não reconhece mais o valor de nada. Numa palavra, ideais que não são democráticos, posto que a tradição é também um contato com o comum, e afastar-se demasiado dela é perder-se em nichos particulares.
"Não teríeis preferido considerar a França como um povo de ontem, como uma nação de canalhas servis malnascidos até o ano da emancipação de 1789."
Me surpreendi gostando de seu ataque à igualdade abstrata, que ignora as desigualdades "naturais"... Parar de tomar como dado o dogma de que toda desigualdade é erro e deve ser limada, que não há hierarquias justas...