A história do alfabeto está apenas começando.

Na verdade, o surgimento do digital nos ofusca o que é a função do meio.
O papel é simplesmente o antigo meio, e carecemos de nos lembrar o que é o meio.

A revolução no mundo do surgimento do papel e suas tecnologias, da escrita e o que ela permitia: desde obeliscos informando séculos de peregrinos a versão exata da pedra, aos assinados bilhetes com o sinete ducal para as tropas em guerra, até os vitrais e afrescos que traziam a imagem e a simbologia: meios, como a língua da voz, como o som de um bicho. Meios.

A mensagem – essa cópia, simulação do mundo, só de informes – senhas, caminhos, ordens dum sistema nervoso de pulsos – a comunicação pelo meio.

O homem manda uma mensagem de corpo para a mulher, e ela faz filhos. Daí Hermafrodita, Hermes-Afrodite. O homem é mensageiro mercúrio mentira, a mulher é venérea venal venerada vênus. Sem mensagens, o homem é a verticalidade; a mulher a horizontalidade. Na mensagem – o cruzamento – ele é horizontalizado, e ela verticaliza.

É que nos viciamos na simetria, sem perceber a desigualdade. Cada divisória aponta um dos lados como pólo atrator, o outro, pólo expulsor. A divisória mesma, ela é terceira; perdemos a simetria.
O homem e a mulher não são simétricos: como não são simétricas duas retas que se cruzam.
Horizonte e vertigem: do horizonte os corpos usinas árvores flores, a terra se abrindo em água. No céu a intermitente luz. As estrelas e cinco delas que se movem contra todas já tão quietas.

É preciso construir essa descrição como um rio que deságua no inexplorado. É justamente sobre isto: sobre o infinito. Sobre o infinito que achamos conhecer, mas só porque o julgamos finito. Como se soubéssemos dizer “infinito? É isto” e apontar o infinito.
Apontar a origem da linguagem, a origem do gesto de apontar, a origem dos gestos; fazer um gesto sobre a origem. Sobre a origem e sobre o meio.

O conhecimento e o meio

Se estamos certos, na doutrina matrilinear, no pan-paganismo (a ciência não é atéia, ela é a-pagã: ela oculta a origem) da universalidade do antropomorfismo metafísico; e os limites do patrilinearismo vulgar em abarcar a gênese e o infinito;

Tudo matéria de linguagem, toda a forma em que se comunicam as matérias – que também é de matéria, pois tudo é matéria, até pensamento entre orelhas – o que nela intuímos ou cremos ou acreditamos crer indiretamente no implícito: que não seja material; a alma, o espírito; o tempo; as ideias sonhos o amor, o terror, o vazio.
Felicitamo-nos muito de haver inventado um dia formas de dizer o zero, o vácuo, o vazio.
Confundimo-nos. A patrilinearidade, a deusa mensagem (no francês mensonge é a mentira) as formas do falso.
jamais deixamos o paganismo
aliás
não existem senão paganismos.

doutrinas teólogas
da filosofia do deus
só jogam espelhos

só existem paganismos
a alma inteira nas almas
o céu é dentro da terra

só existe o paganismo
multi panteatralidade teísta
a divindade pluriviva

de símbolos a diábolos
as luzes estão vivas
têm corpo, olhos

olhos nos olhos
o dia e a noite
o pai e a mãe

o pão e a mão
amor e a morte
o nu e o que viola

dioniso reencontrado
era apolo desde o início
o sol é feito de sangue

a terra dentro da terra
o sal alimenta
pelo paganismo
não como culto (ou sim)
mas como filosofia

martin

Solo cuando nos volvemos con el pensar
hacia lo ya pensado,
estamos al servicio de lo por pensar.

- martin

arqueologia pre colombiana

está bem (BEM!) o jogo cênico dos primitivos, mas e os medievos, os feudais ou mesmo os modernos, que impressionante eram seus líderes? seus... brujos.

90% das legendas do museu é: os monarcas da época abusavam de esoterismo para controlar os povos.

Queria ver discutindo o pressuposto. Ok há tumbas arqueológicas com um john e riquezas; e há relatos de caciques (?) nos tempos da Conquista mas... não há outras geometrias políticas que podem gerar tais túmulos pessoalizados e tais relatos escritos aliás por psicopatas do século XVI?
a linguagem poliniza
palavras são como abelhas

contra a economia

Pelo fim da economia.
Voltemos ao par autonomia e ecumenismo.

autoNOMIA
ECOnomia
ecuMENISMO

Já chega do ouro e seus matemáticos,
Façamos o império da mil-burocracia:
democrática-plutocrática-tecnocrática
mas sobretudo
AUTOcrática
autônoma de atores autores autoridades auto-economias

economia: é uma ideia ruim
nomia do oikos: é literalmente a "lei do patrimônioprivado"
a economia é o mando do lar  - essa usina-base da acumulação - em sua raiz agrícola, as estruturas fundiárias, as dinastias: a escravatura

pela AUTOnomia
a auto-LEI: a lei apropriada, a lei conforme,

e sobre esta, para não virar de novo autoritária
"Livre curso dos apetites também é uma escravidão
Somente a lei escrita, o acordo, permite
sermos realmente livres.
Liberdade será obedecer à lei que se escreveu para si mesmo
(Rousseau)

-

Economia?
Escolho outra Nomia
O Contrato Social.
Acho melhor do que estes seus papéizinhos numerados, me confundo se são ações ou votos, os vale-ouros-reais (parece uma carta de baralho, paremos com os jogos, fechem os cassinos, balbúrdia da loteria babel ).
Livremo-nos destas ideias e de outras paralisias!

retorno à Idade Média

a "Nova Idade Média"
- tese de que estamos retornando ao feudalismo bélico, bárbaro, brutal que sempre proliferou na história -
é alardeada como corajosa síntese conceitual,
e é somada cotidianamente a acusações/revelações de que:
- jamais saímos da Idade Média, nunca deixamos de ser feudos brutos e beligerantes da barbárie -

Mas o que foi? A Idade Média?
Senão uma profusão esquecida sob uma caricatura

*

e se a Idade Mídia já passou
e desde então perdemos contato, por milênios
mas ora estamos na reglobalização
remidiatização
aforismas:

a economia não é matemática: ela é matematizada.

a economia tem uma mecânica, uma física

fluxos mais ou menos operados através do Número,

- mas em toda parte vazando, escapando.

Poder de compra e de atração de riqueza,

- que se infla em papéis-cópias, e desalinha da própria distribuição de Número numerário feito de lastro-metal.

Numismática, a ciência das moedas. Numerificação do mundo, industrialização.

Errática circulação da moeda, em suas acelerações e ralentos, empoçamentos.

Contadores, contabilidade e os centros de cálculo e redistribuição jurídica
pois sim: limitados pela política-violência, ao sabor das modas-cultura, condicionados pela tecnologia-ciência:

o quê calculam?

direito de sangue materno

de uma corrente de mulheres transando com mulheres
e uma corrente de homens transando com homens

o cruzamento destas correntes faz bebê: é o sexo terceiro

*

umbigos são vaginas ao avesso.
se o cu é oposto da boca
umbigo é oposto do útero materno.

*

a vagina só liga
com aquele fiapinho de dentro das bolas, que jorra pelo pau

XX, XY
é o fiapinho que faz o umbigo vindouro ser
XX outra porta, outra vagina de onde saem umbigos; ou
XY um novo par de ovos de fiapinho (que é um beco sem saída na desumbigação vaginal dos corpos, mas, de novo, é o seu gatilho, o botão de ligar a usina)

*

matrilinear: a desumbigação para cima, linhagem do sangue
patrilinear: da faísca