Do tédio

Me entedio... com enxergar o pensamento monótono
O ciclo da maconha ser entediante
Eu, acelerado, pulando os trechos dos vídeos, sem saco para ver filmes, ouvir podcasts 
E ainda assim lendo uns livros meio chatos, já sem saber o que é um livro legal também
Sem saber mais a definição do que é legal
Tédio: no trabalho, na academia, vendo tarefas repetitivas claro, mas o espaço de criação vazio, as pessoas se inflando ares com tão pouco: são ocas, não tem ideias potentes por trás, é vazio, não tem raciocínio, não se está construindo nada de maciço
O sexo mesmo, monótono? Mas é pra ficar dando estrelinhas, novidades? Não basta curtir o que tenho?
Nada é suficiente, é suficiente sim...
O que eu quero na vida?
Quando quero uma pimenta, tem esse livro do princípio genético, tem livros que excitam, provocam uma metafísica radical, tensionam o pensamento: eu gosto
Gostava também de tocar instrumento, de desenhar... Exigia tempo né
Hoje tão sem tempo, será que devia abrir um tempo a isso?

Tem um lado que é de eu ser muito potente, e ir mais rápido do que o interlocutor
(e uma frustração, cansada, quando não consigo expressar/provar isso)
Tem outro lado que é de eu não saber o que eu quero
Que também é de não investir em brincadeiras, hobbies. A escrita? Ficar ensimesmando, publicar é tão pouco dialógico. A pintura... idem e ainda produz entulhos para a casa... E a música?

relendo aqui: "querendo me encher de mistérios, trazer uma mítica metafísica, inflar simbolismo nessas equações tão cinzas"
e também "Lançar o imaginário do seguidor a um limite de início do surrealismo: a revolução"

Tem o fardo do talento, da genialidade, da potência
que só me irmana de ler grandes gênios, Serres, Le Ver... debater Faoro...

Mas tem também essa falta de autocuidado.

Malhar é romper um ciclo. Não fumar é romper um ciclo (distender a fase fora dele).