Como ser otimista neste momento?

Em primeiro lugar, vamos apostar no imprevisível. Quando todos nossos raciocínios lógicos vão concluindo que nada mais adianta, e que o caminho para o fim é certo... Lembremos a lição maior, que esta crise nos traz, implícita. Não controlamos nada, não sabemos nada, somos folhas atiradas ao sabor do vento em grandes sopros do que não vemos.

O futuro é imprevisível. Não sabemos onde vamos. Se tudo parece indicar o mal, nossos olhos são tão curtos, e se avistam algo, há tantas esquinas que inda vamos dobrar. Não sabemos onde vamos.

Em segundo lugar, porque é o que nos cabe. Só a alegria é séria; só a alegria é uma postura séria que abraça a realidade em seu desafio. A tristeza é tentar fugir, tentar negar, tentar não-ser; lamentar por um mundo que não existe. Só a alegria aceita o desafio. Em todos os momentos,

Da lua e dos planetas

Estranho foi descobrir que a lua também não tem pólo sul. O navegante igualmente se conecta no vácuo; apenas ali ele floresce no espelho solar.
A lua é um afloramento no tecido celeste: esta membrana conectada nos confins do pólo sul, , e sustentada pelo pináculo elétrico-magnético do pólo norte, centro da terra.
Pois também júpiter é espelho do sol: assim como a terra. Que para além do espelho é o inóspito do vácuo: esse breu para após o pólo sul, fora da gravidade boreal.
Júpiter imenso - gordo - rasgando o mapa celeste com sua faísca; júpiter que possui suas luas e saturno de anéis. Espelhos do sol
Deve dar pra ver as fases minguante crescente em vênus e mercúrio; em marte mais difícil e júpiter saturno mesmo... impossível, estão em órbita muito superior.
A força da estrela cadente pesada, lenta, incendiando a abóbada até pousar no horizonte.
Horizontação do olho em sua membrana aquosa chamada céu dos olhos como estrelas
O desenho divino, divinatório
A luz é curva, o espaço sideral tem um "chão"; a matéria emerge, aflora no éter, movendo seus longos dedos: os planetas

O que falta, na bailarina?

Está tudo lindo. Ruínas tomadas pelo mato, mas vestígios por toda parte duma ação continuada de mãos. Mãos e suas artimanhas de aranha. Mãos ardilosas, que desenham figuras, ou melhor, que as esboçam em erros muitos: abundância de ruínas cobertas de musgos e sempre postas em composição: imenso jardim de ruínas, composições de ruínas e mato ou melhor: a luz atravessando as folhas em meio ao sombreado da folhagem; o barulho distante dos pássaros...

De noite, são pássaros ou estrelas, aqueles pontos distantes? Que irrupção da beleza pura e simples é essa na natureza: a natureza também faz figuras? Pois são lindos os pássaros e seu canto é sobretudo lindo.

Estrelas que delicadamente existem num desenho fixo, eterno. Os desenhos naturais.

Comer insetos como quem come o que não existe ou come o que só existe para si (e para ele mesmo); deuses que se manifestam como insetos: deuses maus ou, no mínimo, inclementes. Fôssemos guerreiros, prontos à guerra simbólica de vida onipagã oninatural que é o que existe, poderíamos colher aliados entre tais deuses e os deuses pássaro e estrela - sair do culto do sol e seus reflexos azuis na lua.

Lua: o vermelho, a ruptura da pele. A noite furada por um mês de espelhos. Segunda-feira após o sol de domingo.

Opor para confundir: fundir. Transmestiçagem trismegista: trismegisto é como trigonometria: tríade conjugada, trímetra triângula trina trindade tripla, terceira. Terça-feira é marte iniciando o cortejo dos planetas porque entre as estrelas há aquelas moventes sub-luas, o céu é engolido pela terra e suas latitudes, um norte de bússolas e daí descemos

Eu desci ao Pireu

Sobre garrafas e pescoços

Frases, são como lançamento de mísseis. Reunimos a "turma" mental: o departamento analítico, o duplo-cheque de bom-senso, a memória, alguns homenzinhos meio deformados. A "turma" então se põe a calcular balística: 

O CORAÇÃO - "Sr. Cerebelo o que me diz da gravitação associada aos foles pulmonares da fala ..."

Era uma discussão complicadíssima, mas o lançamento foi feito: no meio da discussão, a palavra é tomada: e agora vejamos, frase pelo meio, o quê?

Onde essa frase vai pousar? 

Frases são tiros de canhão, que podemos atirar ao céu, ou em rotas conhecidas, nas cidades vizinhas,

- Meu deus, acertei o passarinho

"Que lua é essa, redonda, que você vê? Eu só vejo o plano, a lua é plana" - diz o passarinho, agonizando.

Frases são tiros perigosos, que podem estourar garrafas.

Garrafas são como foles, guardam e espelem: são como eu e minha "turma", sou um saco de roupas e tecidos guardando a usina de químicos: bem-vindo a mim.

A diferença, do passarinho pra garrafa?

"Garrafas têm pescoço, assim como eu." - diz o passarinho, soprando notas nas bocas de vidro.