(ponto de vista de quem termina, claro)
I. são chamados à tona mil pequenos detalhes súbito 'irritantes' do amante - para chocá-lo com a descoberta, fazê-lo olhar o amor passado surpreso. como o outro agora olha seu passado amoroso desencantado, virando-o de cabeça para baixo com a informação nova: ele nunca me amou - pois ora não me ama mais - tenta criar um choque tão grande quanto: desenganar
detalhes que nunca importaram e sempre serviram como gostinho especial, tão insignificantes que marcam o outro como único
- é como apontar e dizer: olhe aqui, num lugar qualquer,
te acuso de ser você único aí, te recuso
- te recuso os pequenos detalhes; te recuso completo!
(como antes eram eles os mais amados,
como depois são eles que farão a maior falta:
lembrá-los é o que causará a maior dor)
II. uma verborragia:
- necessidade de forrar (com declarações, afirmações) a nova posição a ser ocupada
hora de dizer 'verdades': dizer as verdades da perspectiva nova
devido ao shift estrutural que ocorreu na relação
e agora ambos cumprem papéis diferentes no jogo
sem os mesmos direitos e deveres,
necessidade então de performar uma 'revelação'
como para treinar as novas pessoas do discurso a serem utilizadas
(fim do 'nós', separados)
X. a amada e esta aproximação do fim
marcada pelo discurso
- quando acabar conto a história
não há discurso amoroso durante: só há depois
(porque o amor mesmo já é um discurso vivo
discurso corpóreo. quando cessa, a vida impõe continuá-lo
por outro meio: a fala - 'o sexo é a linguagem instintiva do amor')
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