série de impulsos entendidos como fluxo
(acho que vi algo assim em guattari)
temos do corpo saindo fluxo de urina, de esperma, de sangue, de ódio e
como nossa carne é usina gerando líquido
e tudo que fazemos é brincar cos tubos
conectando o pênis à privada ou à vagina, a veia à seringa a boca ao cigarro
[ como olhar uma figura um diagrama científico de um corpo parado e olhar
tudo que entra e tudo que sair e ficar olhando como se fosse um mapa e as trocas de sexo por deixar a boca falar o que quiser nas orelhas conectar bocas e orelhas ]
[ a pessoa é um país e os fluxos de habitantes e dinheiros e produtos e ideias migrando ]
e conectamos ouvidos em headfones e
o fluxo de lágrimas a um filme ou a uma pessoa, o fluxo de segredos desabafados a uma orelha, a um ombro, é uma conexão de um plug, um encaixe, uma ponte, um misturar-se os dois (molhado de lágrimas e de palavras, ele não sai ileso)
desejos de macho em situações, em cenas, em
adoro fazer teatro porque lá dou ordens, adoro escrever porque
e se não conecta, se um tubo impede o outro, como naquele joguinho de encanadores das crianças,
um vazamento, uma repressão, uma represa inundando
como uma goteira surtos de loucura de humor doido
às vezes até rompe uma veia e jorra fluxo forte de sexo reprimido de palavrões e ódio e muita muita força
fluxo de raiva finalmente conectado à briga com outro qualquer, por onde saem juntos boiando tantos outros humores coagulados, cracas e roupa suja morta de anteontem flutuando nas águas etéreas dos socos (os hematomas e adrenalina hormônios finalmente saindo para a existência, ex-istindo, sendo cuspidos para fora)
quão incrível não é ordenhar as pessoas fortes, entupidas, todas desreguladas como uma máquina com engrenagens presas forçando até que vai
chegar e saber destapar os potes certos e
dali sai tanta força que nos eletrifica
fluxos de força
usina de força da cabeça
mas não, não é bem isso.
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