Se essa rua fosse minha - XII
Conheci ontem rapidamente o cara que vai revolucionar as caronas pra UFRJ. Desde que o mundo é mundo, o carro é carro, e que faz tanto sentido colocar todos os estudantes em prédios espalhados numa ilha que não dá pra acessar nem de bicicleta - as pessoas se dão carona pro fundão, inda mais, nesses tempos de zapzap e mídias móveis e redes eletromagnéticas. Daí o cara tá inventando o aplicativo - a empresa - de organizar as caronas. Que interessante! Puxei a cadeira para ouvir mais.
"Pois então Harvard Business School, e fiquei até 6 da manhã preparando a apresentação pros investidores... são 1700 empresas de 250 funcionários no RJ, se cada empregado dá $10 por mês e pegamos umas 50 empresas, são $100 mil - ah, isso que é sonhar!"
Depois dessa fui dar uma volta... sujeito parece gente boa, mas daqui a 5 anos, com o sistema inteiro passando a mão na cabecinha dele, acho difícil não se tornar um babaca. No alto da sua torre, já muito distante dos ônibus lotados dos estudantes... Também não consigo ter tanto tesão em novas tentativas de fazer CARRO funcionar. Carro de propriedade individual - e transporte coletivo? Que foi feito das vans?
Engraçado que ontem logo antes, eu tava no 438 passando pelo centro vazio - e o ônibus ia super devagarinho, então fui como quem não quer nada perguntar ao trocador: "Desculpa, queria perguntar, por que é que às vezes vai devagar? Tô com tempo! não tô com pressa. Queria saber mesmo..."
Achando que eles recebiam por hora, e tavam esticando um serviço fácil - mas não. É a empresa que não deixa adiantar a corrida. Daí tem que ir freiando, na rua vazia... Quando a empresa é pequena, as linhas curtas, o patrão deixa rodar. Mas hoje tão todas se submetendo aos Consórcios - do Sérgio Cabral, que saiu da mídia no sapatinho - e que são um nome bonito pra quem tem muito dinheiro e não entende nada de transporte. Com os consórcios o patrão só ganha metade do lucro, não decide tanto as regras, e aperta muito mais o empregado.
Passando pela Rio Branco, apontei as obras do bonde (desculpa, o nome é VRT, porque eles vão trancar todo mundo no ar condicionado) e ele respondeu: quando isso sair, vão acabar com vários ônibus. Pra dar dinheiro pra ideia deles. E quando encontram os trilhos de cem anos atrás na arqueologia das ruas e avenidas, deixam a nu que esse progresso todo só dá voltas no mesmo lugar. Compram poucos ônibus - mas tem ar-condicionado! que investimento. Vans nem pensar...
Tá bom de lamúrias por hoje. Mas aquele sonho do jovem revolucionário - 100 mil por mês! isso que é otimismo.
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