ateliê da moeda

continuo querendo estudar a moeda... não como número, mas sem sair da economia

como sistema de medidas... tem uma antropologia das medidas? o latour?
procurei a stengers falando de galileu (depois de descobrir que ele era um grande artesão (um fornecedor) desses astrolábios quadrantes compassos teodolitos, réguas e mapas para o céu) mas ela estava mais focada no operador de igualdade dele, igualdade entre causa e efeito... (terá a ver com a contabilidade de dois livros, passivo-ativo, q revolucionou a capacidade de parear contas?)



tenho entendido que o direito (a propriedade) se organizou em cima de grandes ateliês de escrivãos, cartórios e uma indústria de produção de cópias autentificadas, selos e papel timbrado (em suma, do infalsificável, sem vazamentos) mais uns carteiros oficiais, os livros, códigos e manuais da imprensa real... nos judeus é mais fácil de ver, os rabinos estudando a lei no talmude...

e que ao lado havia grandes ateliês de contabilidade, com ábacos, mesas de conta, calendários, tabelas e pesos e conversões, balanças de precisão (e daí todo um degradê entre as regras legais de divisão do produto (às vezes ainda postas-em-abismo com bolsões internos de votos distribuídos e medidos) e as medidas dos objetos transacionados. E estes vão desde o ouro ou a confiabilidade da assinatura do cheque pré-datado até ficarem cada vez mais concretos, avaliando-se a medida das sacas de grãos, das ânforas, dos produtos a granel (e toda a história dos órgãos certificadores, dos sêlos)...



é a construção de canais sem vazamento, que permite co mércio de mercadorias (o francês dá uma dica: les marchands, ils ont marché entre les gens / ils font le marché entre les gens) em massa (produzidas em série)

essa história de liquidez... âncoras cambiais, bolsões de riqueza, solvência, vazamentos no balde... me faz pensar numa solução aguada, pouco sal de salário (de carne salgada pra durar) diluído em muita aposta, empréstimo e loteria (as reservas de ouro dos bancos emissores)...



circulação
e o sal





tentei trabalhar num banco comunitario, que imprimia moeda, na Cidade de Deus (de voluntário, por 2 anos. tenho um diário de campo... queria me envolver em outra empreitada assim, de construir e difundir conhecimento financeiro marginal)
Lá nada funcionava, nenhuma moeda saía,
Mas fui entendendo que dinheiro é sim como o dinheirinho da festa junina (com casa de câmbio na entrada, um clube de amigos, clube do assinante...)
Mas o mistério começa, com aquela fantasia de falar Finança (fim!), quando se usa o dinheiro pra combinar pagamentos futuros
ou seja, quando se fazem fiados, confiados (um fio, se ele continua, ou se ele arrebenta; os empréstimos são nós, fios amarrados entre as pessoas, sincronizando ritmos de trocas; são correias entre as peças da máquina-economia, irrigada pelo malabarismo de muitos tentando diluir seu ouro em correias sem deixá-lo vazar)
E para mudar a favela, tapar o vazamento do bolsão de liquidez, precisaríamos tanto arranjar sal quanto de conseguir com ele aguar, criar correias (de marionete) no local, entre conhecidos (ser uma agência de fiados e confiados, administrando sal em pontos-chave e orientando e educando as marionetes a taparem seus vazamentos e organizarem grandes baldes comuns)

tentei também desvendar e denunciar a moeda falsa que andam criando, esses cartões de vale-ticket
vejo sempre os trabalhadores querendo passar o cartão vale-transporte (ou vale-refeição) em troca do dinheiro; e eles são presos acusados de fraude; mas não é o salário deles? então fiquei dentro da biblioteca tentando decifrar esse imbróglio lógico que os tecnocratas criaram sem entender.
mas nunca fui muito a campo... poderia ir atrás das vans (quando o vale-transporte era papel, era livre e as vans proliferaram, mas aí virou cartão só debitável com a maquininha...) não sei...

eu não sei o que poderia etnografar-entrevistar-ensinar....

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