QUEM É DESTRO AINDA PODE SER CANHOTO. Usar a mão esquerda é ótimo é brincar de criança é ficar o dia todo sendo bonzinho com a mão mais nova. Ajuda no equilíbrio nervoso, e até na postura. Você se acalma, se distrai. Fica mais presente no gesto e consciente do espelho e da simetria.

Somos caranguejos, uma mão imensa deformando o corpo inteiro, uma metade gulosa e a outra morta, fria, inconsciente. Armadilha de polarizar o terra-céu no meridiano dos braços. Desde a língua caminhar da esquerda para a direita às roscas de garrafa abrirem no sentido anti-horário, tudo conspira para a maestria dos destros.

Não à ambidestria, sonho de eliminar o canhoto. Quero é frequentar a humilhação de ser uma mão mais fraca. E se com dificuldade ainda assim abro a garrafa, me ensabôo, corto a cenoura, clico o mouse, deixo a nu o vazio do império destro: em toda sua pompa e delicadeza, sua facilidade e rapidez, o direito me ausenta do corpo. A mão esquerda me traz à terra, e melhor, me revela o terra-céu de ambas. 

Este ir e vir da referência entre os lados me alinha ao eixo terceiro, atravesso a encruzilhada de dois passeios: Libra, a balança, a regra da igualdade entre as mãos. Toda canhoto experimenta um pouco disto em nosso mundo direito. Libra, os dois pratos que são as garras do Escorpião: do eixo celeste das mãos ao ferrão envenenado.

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