Somos caranguejos, uma mão imensa deformando o corpo inteiro, uma metade gulosa e a outra morta, fria, inconsciente. Armadilha de polarizar o terra-céu no meridiano dos braços. Desde a língua caminhar da esquerda para a direita às roscas de garrafa abrirem no sentido anti-horário, tudo conspira para a maestria dos destros.
Não à ambidestria, sonho de eliminar o canhoto. Quero é frequentar a humilhação de ser uma mão mais fraca. E se com dificuldade ainda assim abro a garrafa, me ensabôo, corto a cenoura, clico o mouse, deixo a nu o vazio do império destro: em toda sua pompa e delicadeza, sua facilidade e rapidez, o direito me ausenta do corpo. A mão esquerda me traz à terra, e melhor, me revela o terra-céu de ambas.
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