Como Rousseau é chato! Parece mais uma evolução retórica do debate, do que realmente um passo conceitual. Eu gostava da frase "l'impulsion du seul appétit est esclavage, et l'obéissance à la loi qu'on s'est prescrite est liberté" - deixar-se levar por apetites e paixões momentâneas é escravidão, a liberdade é obedecer à lei que prescrevemos a nós mesmos. Taí a frase original já é meio truncada, não inspira.
Num sentido mais profundo, não sinto grande contribuição. O assunto todo fica num nível principista, muito tedioso (prolixo) e debatendo questões muito idealistas. Ok, estamos na filosofia política, e eu talvez tenha questões muito mais práticas de ciência política... Mas não haveria uma filosofia do voto, não tão idealizado? Do que são essas casas legislativas, em concreto, e como se haver com elas? Uma filosofia do que são de verdade essas instituições. Do que é a mídia e a formação da opinião pública? Do que são partidos? (e aí estou bem ciência política, querendo Pareto e Michels eu acho, teoria das elites...) O que é a necessidade de um Estado para o desenvolvimento, para a soberania nacional na disputa geopolítica, em meio aos conflitos de classe... Bonapartismo era interessante.
...Segui achando Rousseau prolixo e pedante, com ideias que assustam pelo autoritarismo. Depositar fé cega no Estado; o alerta contra o autoritarismo ainda não fora ouvido - o que impressiona, dado ser uma resposta às monarquias. Ora se o rei se diz portador da vontade geral...
Achei curiosa a sua divisão Executivo e Legislativo, onde a vontade popular só se expressa coletivamente nas leis, que devem sempre ser gerais; e tudo que for específico, particularizado, depende de um Executivo composto de magistrados escolhidos de alguma forma ao povo. Nestes tempos de Legislacionismo...
Nenhum comentário:
Postar um comentário