Burke

Lendo Edmund Burke (em um pequeno livrinho de "Clássicos da Política" organizado por Weffort, com professores da USP), o conservador liberal. 

Gostei da sua defesa da autonomia do representante em relação aos representados. Parem de papo de democracia direta. Traz a ideia do bem comum, e ainda que envolva democracia e voto, tende a uma coisa mais totalitária? Não entendi como essas coisas se coadunam. Se o parlamentar vota independente da opinião do povo...

Gostei da defesa da tradição, uma postura reformista/incrementalista que defende o legado, as heranças que temos. Não jogar fora tudo que herdamos, conseguir amar o próprio país, conseguir entender seus pontos fortes.

Como invocar a tradição nesse Brasil que odeia seu passado? Um ódio baseado em abstrações, ideais ingênuos, muito anacronismo, que não reconhece mais o valor de nada. Numa palavra, ideais que não são democráticos, posto que a tradição é também um contato com o comum, e afastar-se demasiado dela é perder-se em nichos particulares.

"Não teríeis preferido considerar a França como um povo de ontem, como uma nação de canalhas servis malnascidos até o ano da emancipação de 1789."

Me surpreendi gostando de seu ataque à igualdade abstrata, que ignora as desigualdades "naturais"... Parar de tomar como dado o dogma de que toda desigualdade é erro e deve ser limada, que não há hierarquias justas...

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