Cartografia do pensamento político brasileiro (Lynch)

Foi bom ler para situar as escolas, e a própria ideia de que o campo da ciência política é um campo em construção. Não à toa tão diminuto no passado, muitas vezes restrito a idiotas e quase nada. E de fato agora bem mais elaborado. 

Senti falta de uma cartografia do pensamento econômico brasileiro! Meu campo parece tão aguerrido em disputas totais, tão embrenhado em política; tão sem esforço de ciências humanas, de autoconsciência; tão sem metodologia de verdade, perdido em tecnicismos parodiando ciência exata... 

Ideologia seguindo Freeden, mapa para orientação, identificador do grupo, programa de ação, tradição genealógica. "conjuntos de ideias, crenças, opiniões e valores que exibem um padrão recorrente; que possuem grupos significativos como seus portadores; competem pelo fornecimento e controle das políticas públicas, com o objetivo de justificar, contestar ou alterar os processos e arranjos políticos e sociais de uma comunidade política".

Faoro segue a tradição hegeliana de ideias políticas desencarnadas, perspectiva essencialista, e tão eurocêntrica de descartar nosso liberalismo por completo, não temos pensamento político apenas hipocrisias...

'Nosso estilo periférico: (1) pouca generalização (sem alcance universal), maior sentido prático; (2) argumento de autoridade, prestígio dos estrangeiros; (3) filiação a escolas estrangeiras (ignorando as genealogias internas); (4) moderação, diluição dos extremismos; (5) prospectivo, o futuro é o lugar da redenção, desprestígio das tradições; (6) importação de instituições e projetos; (7) pedagogismo, para criar a cultura necessária às instituições transplantadas.'         (O pedagogismo me bateu que é bem a Gazetinha)

...Mosca se opunha a toda forma de utopismo...

...processo histórico: teleológico x contingente

  • ISEB, Jaguaribe, Guerreiro Ramos
  • IUPERJ/IESP (Wanderley, José Murilo; Renato Lessa) - Marcelo Jasmin, João Feres Júnior com contextualismo (Skinner) e história dos conceitos (Koselleck) contra hegelianismo. IESP mannheimiano weberiano
  • USP lukacs Antonio Candido, Gildo Marçal Brandão
  • Nunes Leal (e Temístocles Cavalcanti) vem da ciência política francesa pós-guerra Burdeau e Duverger

  1. José Murilo: História intelectual no Brasil, a retórica como chave de leitura (2000)
  2. Luiz Werneck Vianna (gramsciano) 1991 - "americanistas e iberistas" (revolução passiva entre liberal e comunitário); 1999 "Weber e a interpretação do Brasil"
  3. Gabriela Nunes Ferreira (USP) Centralização e descentralização no Império: o debate entre Tavares Bastos e o visconde do Uruguai (1999)

Mas voltando a reclamar da economia. Afinal esse keynesianismo todo, ou a defesa do livre-mercado e todo o papo Public Choice, Buchanan... envolvem fortes teses sobre o Estado! E tratamos o funcionalismo público e as instituições estatais como algo exógeno, simples... Sendo que na prática o debate gira muito em torno desse desenho, mais do que das suas possíveis consequências! De novo, na prática o economista mexe muito com direito... e requer muita ciência política...

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