O TD é um investimento inteiramente seguro, e com liquidez total (D+1), rendendo a Selic, ou o IPCA + algo, ou uma taxa pré-definida (e ainda opções com juros semestrais e sei mais o quê); para fins de comparação basta dizer que rende pelo menos a Selic menos o Imposto de Renda (minimizado em 15% se deixar o dinheiro aplicado por 2 anos ou mais) e a taxa de administração da B3 (0,2% do valor investido ao ano, pago em 2x, a cada semestre).
Mas não falam que - feita exceção ao Tesouro Selic, que é tudo isso mesmo - para os demais títulos a liquidez D+1 pode pôr a perder toda a segurança do investimento. O Tesouro IPCA + é especialmente volátil: se você compra um que vence daqui a 5 anos, mas daqui a 1 ano você vende, você pode vender por menos do que você comprou, isto é, perder um bom dinheiro! Claro que se você esperar até a maturação dali 5 anos, não perde nada. Mas para usar a liquidez D+1, você depende disso: se a expectativa de inflação muda, a expectativa de rendimento do título muda; se de repente passam a achar que a inflação vai ser na verdade baixa, ninguém mais quer o título e saem a vendê-lo, e aí o preço dele cai... e quando você vai vender, está muito mais barato... É até mais complexo, pois eles comparam sempre com a Selic, e se a expectativa da Selic muda, muda o valor dos títulos IPCA e pré. Só o título Selic que, como vai ser exatamente o que for a nova Selic esperada, não muda de valor. Então cuidado, se quiser liquidez, tem que ser TD Selic. (OBS: não analisei, mas acho que os títulos com pagamentos semestrais têm uma versão aliviada desse problema).
Dito isto, pra quem pode abdicar de liquidez, pegar parte da grana e abdicar de poder usar ela por 6 meses ou mais (ideal é 2 anos, para minimizar o Imposto de Renda), dá pra ter um rendimento bem melhor e ainda 100% seguro; dá pra ter um rendimento que, depois de pagar IR e sem precisar pagar taxa de administração, ainda é um pouco mais alto do que a Selic (e por isso bem mais alto que o TD que dá Selic -15% da Selic -0,2% do valor total)(na verdade, agora repensando, isso se deu nesses últimos anos - pandêmicos - mas antes da pandemia o bicho chegava só a uns 93% da Selic (ainda mais alto que TD, ma non troppo)).
Abre conta numa corretora - eu testei a XP e a Nuinvest, e a Nuinvest dá de 100, é muito mais intuitiva e tem produtos melhores. Vai em Renda Fixa e compra LCI/LCA (isento de IR, então pode ser qualquer prazo) que pague a maior porcentagem do CDI (que é uma taxa praticamente igual à Selic por definição), ou um CDB/LC (preferencialmente 2+ anos pra pagar só 15% de IR) que pague a maior porcentagem do CDI. Com isso você está emprestando pra um banco qualquer, em vez de emprestar pro governo (como no TD), mas é 100% seguro por conta do FGC - um sistema de seguro gerenciado pelo Banco Central. Eu já tive que usar o FGC e funciona, não dá trabalho nenhum, a Nuinvest te orienta do que fazer pra acompanhar o processo. Para quem tem bastante grana, só precisa tomar cuidado de não emprestar mais de R$ 250 mil pra cada banco, ou botar mais de R$ 4 milhões nesse esquema, que são os limites de cobertura do FGC - valores bem altos, então tem bastante margem pra usar o negócio. No mais, é isso, não tem mais muito mistério; sugiro não comprar prazos muito maiores do que 2 anos, pra ir acompanhando o mercado conforme o passar dos anos; não sei se sugiro comprar títulos indexados a ipca ou pré, acho melhor ficar só na taxa CDI mesmo. E é isso.
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