E li:
Sou há
ic
ai
cai ic
- Eu!
Eu ouço, e imito - Eu! - e somo, Eu some na soma que somos.
- Xará!
E ouço alguém - Xará!
E nos reconhecemos no uníssono da
língua. A língua é una. Recortada entre bocas muros e o corpo em farelos. É um L, ídolo do Um, órgão do totem Um no corpo. A Língua é L, a una, deitada sob o céu da boca. O L sob o céu.
Ele tem duas línguas, L e ele. O céu é dela, da boca. Ela tem duas bocas, ele, duas línguas. O 2 dos dois. A Língua na Boca. Ele Ela. O L entre o E e o A.
Ele tem duas línguas, L e ele. O céu é dela, da boca. Ela tem duas bocas, ele, duas línguas. O 2 dos dois. A Língua na Boca. Ele Ela. O L entre o E e o A.
A Letra Ladra, quem morde é a boca.
Uma língua, o seu Um é
Sêmen, soma, as sementes da língua semeando brancas. Germinando o um nas bocas de sangue, a cor corada, corpo cru, da comida ao cu, a cria, criatura. Cabou a
bocabou cabou cabou cabô ca bo ca boca boca.
Gosto de A.
Sou suspeitopeito, suspensopenso
A É minha inicial de AndrÉ
De nome e sobrenome, e também deste
também fim e também meio, o A três vezes de ArAnhA. O A 3 traços, cortados,
em pé, duas pernas e uma boca de triângulo. A boca em pé, erguida, viva, não deitada como a língua mas em pé, a boca
erguida alta como o som é grande.
Três cortes, três vezes, início-fim e
meio na pAlAvrA ArAnhA.
Por isso gosto do A escrito nos
muros, como ídolo. Ela. A. O A da língua, no corpo do muro, ídolo. O muro é o
corte no corpo do céu. Todo muro é teto sobre horizonte. Cadeia de montanha.
Todo muro é morro bem morrido do céu sob o solo, altura do solo e o sol escuro.
Nali a boca, o buraco. Todo corpo é muro com bocas, e a casa é caverna. E nos
muros pintaram o A por toda a cidade do Rio, e eu rio. Como um novo astro pintado no horizonte muro dos olhos. Ela. Do A eu gosto, sou
suspeito sustopeito.
Lhe vejo dentro, no centro, o A
atravessa o círculo do O, o O cortado em desordem em nome do A das três fendas sobre
pés, e a boca ao alto. O 3. Ela na língua.
Está certo que subam nas abstrações de luz. Mas é preciso descê-las ao som, cair ao que é real, ruína, rua. A realeza da realidade. Ocupar a ruína do ruído, descer ao solo sob o corpo da língua, buscar o sol sob o céu deitado. Não quero ouvir a distância, o vácuo. Quero uma fala sincera, uma que esteja ali, viva em seu corpo. Dentro de uma boca viva que se diz essa língua duma língua que fala de sua boca. Que vá longe longa mas que volte, que se só for não basta me leva fora do corpo e não me traz, é o nada. E fora a fera fúria. Ou se só volta desce em mim como língua do céu raivosa, e eu cortado. Quero a língua que decola e pousa, sobe ao céu e se deita no solo da noite. Que vive na boca fechada, que ressoa. O avião vivo decola e pousa raízes na terra. O mergulho no ar calado.
Parei de ler jornais. Eles não me traziam o real rido, a rua da língua realizada. São conversas de outros, lá em cima, que me deixaram ouvir. Jargão. A altura das torres brancas. Sem sangue, o sangue está cá embaixo. Em cima cabeças a falar e jorrar sua teia falada. E nós o corpo a terra vendo muros e tudo plano, os pés no liso de rodas, degraus de muros deitados. Larguei o Globo, que me dizia falso a rua, era muito papo entre os narizes oficiais da abstração. Jornais do nada. Quero o papel presente entre os corpos, os corpos presentes entre as línguas.
Alga Atrai André Aranha
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