Serres e as imagens

Serres insere as imagens em seu texto não apenas como comparação, ilustração para dar leveza, prender atenção, divertir, auxiliar a digerir - mas principalmente e sobretudo como aberturas que ele faz a uma outra interpretação, isto é: como momentos em que ele abdica de estar no controle. 

E toda a questão é que o restante do texto, onde ele é preciso e esclarecedor (nos aspectos de precisão e clareza que percorrem seu texto e formulam regras úteis) tem de conviver com esse limite: estar em diálogo com a não-razão, o obscuro; sol em diálogo com a noite - e que não exclui a luz das estrelas (e o fogo).

Enquanto isso, na parte em que traz as imagens, elas também não são surdas ao logos - digo elas SÃO surdas sim, como estátuas, simplesmente existem de maneira independente - e não como a sombra, o exato oposto, a projeção que teria uma razão solar como sua inversão total, um sol negro, um buraco de breu.

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